quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Tecnologia: avanço ou retrocesso?

Redação


A TV digital que chega ao Brasil, os aparelhos de celular 3G, os MP9 e tantas outras sensações no mundo tecnológico faz com que muitos pensem que estamos no cume da modernidade. Mas até que ponto esses avanços contribuem ao aspecto qualitativo da comunicação humana?

Seu celular, smartphone, ou seja lá o que possa armazenar dados, deve estar cheio de contatos. Sua página em sites de relacionamentos, idem. Entretanto, provavelmente, você estabeleça comunicação com um pouco mais da metade desse número.

O próprio conceito de comunicação sofre mudanças quanto ao emprego do termo no cotidiano. O processo é interrompido porque existem outros o sobrepondo e que também não serão concluídos devido ao número de informações que o ritmo de vida estipula para dar continuidade ao ciclo vicioso do sistema.

O que deveria ser usado para vencer o tempo e o espaço passa a ser instrumento indispensável na criação de uma distância estratégica ao consumismo. A necessidade de se comunicar aumenta concomitante ao desejo de se possuir o que há de mais inovador, mesmo que os aspectos de funcionalidade não sejam totalmente atendidos.

Nas organizações, seja no ambiente interno, seja no relacionamento com outros públicos, a comunicação recebe um importante apoio da tecnologia. Porém, apostar apenas nas inovações não basta. Lidar com novos instrumentos é também estar sujeito a novos efeitos que, se não submetidos à análise, podem sair do controle de quem os gerencia. Surge, então, o relações-públicas para dar sentido ao processo comunicacional, principalmente por meio de estratégias de relacionamento.

Enquanto muitos usam a tecnologia para se comunicar à “distância”, as relações públicas a utiliza para promover a verdadeira comunicação por meio da proximidade.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Carreira de Relações Públicas: uma das mais promissoras

Redação


Assim classifica a profissão de Relações Públicas o Guia das Profissões da Folha de São Paulo/2008. Mas, se realmente é uma carreira tão promissora, por que se ouve tantas reclamações sobre o mercado de trabalho para esse profissional?

As culpas caem nos ombros de muitos. Ou é a competição no mercado que está muito acirrada, ou são as faculdades que não preparam bem seus estudantes. Poucos pensam na possibilidade de serem os próprios profissionais os principais atores desse cenário.

O bode expiatório preferido é o mercado de trabalho. As empresas surgem, crescem, desenvolvem, e todos os anos milhares desaparecem. Outras se expandem, criam filiares em diversas partes do mundo e ainda tem profissional reclamando de falta de oportunidade. O mercado funciona num dinamismo onde quem não se preocupa em acompanhá-lo fica submergido na própria desqualificação, por não atender as expectativas das grandes corporações.

As vagas estão aí, surgindo a todo o momento em diferentes pontos do país, principalmente nos evitáveis interiores dos estados. Criou-se uma crença metropolitana em que tudo o que há de melhor está na capital. Mas não se enxerga que o “inchaço” populacional nas grandes cidades acontece paralelo à carência de profissional nas pequenas cidades.

A desqualificação profissional é claramente vista como principal fator para esse encolhimento do mercado. No entanto, não é justo despejar a culpa só nas faculdades. Quem poderia ser mais responsável pela formação acadêmica do que o próprio estudante? As instituições de ensino cumprem a legislação ao elaborar grades curriculares mais completas possíveis, e mesmo que não atendam plenamente as expectativas na aplicação do conteúdo, estão sujeitas a reclamações dos interessados em acompanhar o desenvolvimento de sua formação profissional.

Não é novidade a mudança constante de perfil para ocupação de cargos em grandes empresas. Nem que é essencial que se fale, pelo menos, uma língua estrangeira. Muito menos, que se tenham cursos básicos de informática. O que falta para muitos é a preocupação em direcionar os esforços para a flexibilidade do mercado. Networking não basta. É preciso, mais que conhecer pessoas, tornar-se conhecido.

Ser Relações Públicas num mercado tão dinâmico não foge muito das funções desse profissional: a estratégia de se ver em coisas simples o desenvolvimento de planejamentos capazes de alcançar resultados inesperados. É uma questão de visão. O mercado está de “braços abertos” para quem consegue perpetuar seu dinamismo e nós, relações públicas, temos tudo em mãos, falta só explorar um pouco mais.

RPs x Jornalistas

Redação


O mercado de trabalho parece pequeno para profissionais de comunicação. Relações Públicas e jornalistas disputam espaço em assessoria de imprensa e colocam em questão o direito Pa função de assessor.

A disputa é reflexo de um mercado de trabalho pouco aberto à oportunidades para comunicólogos. A situação não é recente. Mas algumas medidas constitucionais esquentaram a discussão nos últimos meses. Neste ano, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, descartou por tempo indeterminado certas exclusividades para os jornalistas, principalmente, quanto à limitação de algumas funções a esse profissional.

Para muitos, a história do surgimento das relações públicas é a justificativa mais louvável em favor dos RPs. A profissão surgiu nos Estados Unidos, nas primeiras décadas do século XX, quando o jornalista Ivy Lee decidiu unir-se a um empresário pouco apreciado pela sociedade, John D. Rockefeller Jr., e melhorar sua imagem diante da opinião pública. Ao assumir essa responsabilidade, Ivy Lee abandonou a profissão de jornalista, chegando a sofrer preconceito por parte de seus ex-companheiros, devido à nova função que não se enquadrava totalmente aos padrões do jornalismo daquela época. O trabalho de assessor de imprensa que fez foi tão bem sucedido que até hoje instituições tem o nome de Rockefeller em sua homenagem.

As características teóricas e técnicas da assessoria de imprensa são outros pontos em que as relações públicas se pautam. Na descrição de suas funções, o relações públicas é o responsável de mediar os interesses entre os diferentes públicos de seu cliente ou organização e gerenciar a troca de informações entre eles. O objetivo é alcançar a satisfação dos públicos-alvo e harmonizar os relacionamentos, sem comprometer os interesses do cliente.

A função de assessor de imprensa é basicamente esta: por meio da informação, manter boas relações com diferentes segmentos da sociedade e construir uma imagem positiva. Os objetivos similares colocam essa função mais próxima da profissão de relações públicas, como confirma a Legislação Brasileira, por meio da Resolução Normativa nº 43/02 de 24 de agosto de 2002.

Entretanto, a qualificação profissional é um fator que desfavorece muitos relações públicas. Como a assessoria de imprensa está muito próxima também do jornalismo empresarial, os profissionais desse ramo, na maioria das vezes, estão mais preparados a ocupar o cargo de assessor por conta da familiaridade com as técnicas jornalísticas.

O papel das universidades e faculdades que ofertam cursos de relações públicas é importante nessa questão. Dependem dos formadores de profissionais a qualificação e aptidão para que estes ocupem os cargos que lhes competem, sem desconsiderar os esforços de cada um.

A competição no mercado de trabalho é o termômetro que indica quem está mais preparado para abraçar as oportunidades. E é nela que a disputa entre jornalistas e relações públicas pela assessoria de imprensa acontece da forma mais justa: ocupa cargos quem tem mais competências e habilidades para tal.

Estrangerismo e RP

Redação


Em diversos aspéctos e modalidades de comunicação, o conceito de estrangeirismo vai além das características relacionadas à nacionalidade.


O domínio dos processos de comunicação não se limita à linguagem oral ou escrita. Existem outros tipos de comunicação que o profissional precisa estar habilitado a lidar. São modalidades como o Braile e Libras que em muitas situações fazem a diferença na qualificação do comunicólogo.

A questão gira em torno do porquê de tais modalidades não receberem a devida atenção. As estratégias de mercadologia deixam clara a importância de quaisquer fatia de mercado consumidor em potencial, principalmente quando essa fatia é representada numericamente por valores expressivos. Não é a toa o surgimento, há algum tempo, de tradutores para pessoas portadoras de deficiência auditiva em programações televisivas. Entretanto, esse esforço de inclusão ainda é pouco quando relacionado à demanda.

O relações-públicas, formado para suprir a necessidade de relacionamento da organização com seus diversos públicos, parece ser o profissional mais indicado, pode-se assim dizer, em ter habilidade em se comunicar com públicos compostos por portadores de deficiência auditiva e, por que não, visuais. A argumentação de se especificar determinados ramos profissionais para tal tarefa, que visivelmente fundamenta-se em processos de comunicação, não justifica episódios de despreparação para lidar com esses públicos ou de dispêndio de recursos na contratação de outros serviços para esse fim.

A exigência de muitas organizações quanto ao domínio em línguas, como Inglês e Espanhol, poderia ser colocada paralela à necessidade de se comunicar com públicos “especiais”. A atenção para esse grupo deveria ser despertada por empresas de todos os ramos, uma vez que a deficiência não imuniza essas pessoas do consumismo inerente ao sistema capitalista. O mesmo estrangeirismo presente no impacto entre o Português e outras línguas encontra-se, em muitas ocasiões, quando faltam mecanismos precisos para se comunicar com um portador de deficiência auditiva ou visual.

Estágios da vida profissional

Redação


Apesar de não ser obrigatório em algumas graduações, o estágio é essencial para a formação profissional.

Grande parte dos conhecimentos apreendidos numa graduação é adquirida por meio de metodologias de ensino em sala de aula. Entretanto, teorias, exemplos e estudos de casos ainda não são suficientes para qualificar o estudante e torná-lo apto à competitividade no mercado de trabalho. A aplicação desses conhecimentos na prática, geralmente, acontece nos estágios.

Muitos estudantes deixam essa etapa da vivência acadêmica para o último ano, quando a atividade é obrigatória na grade curricular; outros nem sequer se preocupam em passar por ela. Os motivos que justificam esse comportamento podem estar ligados à própria metodologia de ensino, que em muitos casos se restringe à transmissão de teorias.

A oferta de vagas para estágio é cada vez mais crescente entre as empresas, sejam públicas ou privadas. Os empresários buscam outras estratégias para recrutar pessoal qualificado, de forma a não resumir essa seleção em poucos minutos de entrevistas e testes teóricos e práticos. Isso permite a possibilidade de muitos estudantes que atuam como estagiários a serem efetivados nas atuais empresas onde estão. Em órgãos públicos, a exigência de prestar concurso não possibilita a efetivação por meio do estágio, mas já garante uma experiência significativa para a carreira profissional.

Existem, no entanto, outros aspectos para serem discutidos a respeito dos estágios. Nem sempre as atividades destinadas aos estagiários condizem à formação destes. Acontece que em alguns casos a procura da empresa é por mão de obra barata e não por um processo de desenvolvimento profissional dentro da cultura da organização. Porém, independente disso, é parte do papel do estudante explorar todo o ambiente de trabalho e pôr em prática as ações interdisciplinares e/ou transdisciplinares praticadas na academia, uma forma de aproveitar quaisquer oportunidades de aprender algo.

Toda a vida profissional é cheia de estágios. Hoje, você é estagiário; amanhã, funcionário; e, posteriormente, quem sabe, gerente ou diretor. O importante é trabalhar as expectativas por meio de atitudes, responsabilidade e qualidade.

Tudo é importante

Redação


Muitos estudantes não percebem a importância que cada uma das disciplinas ministradas na graduação tem para a atuação profissional.

Quando se opta por uma profissão, geralmente se pensa em todos os conhecimentos de aspecto prático que podem ser envolvidos num curso. No entanto, nem sempre é tão fácil identificar essa praticidade.

Hoje, o mercado de trabalho não quer engenheiros que sejam somente engenheiros, ou relações públicas que sejam apenas relações públicas. A exigência é reunir conhecimentos que atendam às necessidades das empresas por profissionais dinâmicos, pró-ativos e atualizados, qualidades que se adquirem pela exploração de, ao menos, o domínio básico de algumas áreas de interesse. Essas áreas são claramente expostas por uma espécie de filosofia de sucesso adotada pelas empresas, formada pelos conceitos de tecnologia, gestão de pessoas e meio ambiente. Ao se atentar para esses três itens, é possível englobar diversas áreas específicas entre as ciências humanas, biológicas e exatas.

Devido a essa demanda por profissionais mais completos, as universidades e faculdades se esforçam para incluir na grade curricular dos cursos as mais variadas disciplinas capazes de desenvolver nos estudantes as diferentes habilidades exigidas pelo mercado de trabalho, em outros casos, pelo menos tentam despertar o interesse por outros assuntos ligados à área para a qual se formam. Entretanto, os estudantes pouco percebem essa estratégia na formação acadêmica.

É comum ouvirmos questionamentos sobre o porquê de tal disciplina na grade curricular de determinado curso. Infelizmente, quando o estudante percebe a importância dessas disciplinas, muitas vezes não valorizadas como deveriam, já estão no mercado de trabalho. Daí fica o conselho de sempre pensar na utilidade de todos os conhecimentos repassados ao longo da graduação para que depois não surja o arrependimento por desvalorizar disciplinas como Psicologia, Antropologia, Informática, Educação Ambiental, Espanhol, Inglês...

Enquanto há tempo, uma boa forma de aproveitar isso é por meio dos trabalhos interdisciplinares. Eles nos mostram um pouco de como as coisas se misturam todas na prática.

Relações Públicas: a comunicação sob diversos ângulos

Redação

O profissional de RP que reclama do espaço no mercado de trabalho ainda não desenvolveu uma visão estratégica sobre sua própria área de atuação.

As atividades de relações públicas ultrapassam as paredes de uma assessoria de comunicação ou de imprensa. Ao contrário do que muitos estudantes pensam, por calcularem o número de empresas que têm um departamento interno de comunicação, as relações públicas estão presentes na maioria dos setores de uma organização, senão em todos.

A falta de percepção da importância da comunicação nas empresas, por parte de uma quantidade significativa dos administradores, limita a atuação dos comunicólogos. Pode ser devido a isso que tenha se criado a idéia de que o lugar do RP é entre as quatro paredes de um departamento exclusivo para comunicação. Não se atenta para a questão de que a visão estratégica desse profissional é capaz de atingir positivamente todos os setores da empresa, de forma direta ou indireta. Por essência, a função de estrategista em relacionamentos interpessoais faz do RP um especialista capacitado em realizar atividades que melhorem o fluxo comunicacional interno e externo à organização por meio de técnicas de integração do mais alto nível administrativo aos diversos públicos de interesse.

A própria dinâmica na atuação do RP - cujo envolve desde a cultura organizacional até a base para a tomada de decisões importantes - possibilita a influência das atividades de relações públicas nos diversos setores da organização. Problemas simples ocorridos no contato entre os diferentes departamentos em uma empresa, expostos por meio de uma desarmonia visível no compartilhamento de informações, expressam a necessidade de um profissional qualificado em sistematizar o processo de comunicação interno e externo.

Hoje, com a multidisciplinariedade exigida pelo mercado de trabalho, o profissional de relações públicas é um dos que mais se enquadram a esse perfil esperado pelas empresas. A falta de conhecimento a respeito das funções desse profissional não é desculpa para se crer na carência de espaço no mercado a esse especialista. O que se está necessitando é que os próprios profissionais passem a usar de suas técnicas a favor de si, promovendo uma imagem da classe positiva e contribuindo para o esclarecimento da importância de sua atuação nas empresas.



A Interatividade é Cultural

Redação


A maioria das pessoas ainda não está acostumada a interagir com as mídias e, quando isso ocorre, acontece num nível muito superficial.

O desenvolvimento dos meios de comunicação abre cada vez mais o espaço para que a audiência deixe de ser representada apenas por dados estatísticos para participar efetivamente dessas mídias. A interação dos públicos fica sujeita aos objetivos das empresas de comunicação, que podem visar apenas seus interesses ou associá-los aos dos clientes. Esse processo também depende da audiência, que influenciada por diversos fatores se sentirá incentivada ou não a interagir com esses meios. Entre esses fatores, a cultura merece destaque.

O indivíduo, por muito tempo, participou passivamente da sociedade. No grupo familiar, justificado grande parte das vezes pela conservação de tradições, o diálogo tinha soluções unidirecionais em que o indivíduo apenas absorvia aquilo que lhe era imposto. Nos grupos sociais, políticos e ideológicos, o quadro não era diferente. A pessoa estava sujeita a cumprir as regras implícitas e sua participação limitava-se à aceitação do que era previsto.

A expansão das mídias permitiu, assim como a criação de massas, a tomada de certa reflexão acerca das atitudes do próprio individuo. O contato com outras culturas, apesar de superficial, serviu como meio de descobertas de costumes e modos de vida paralelos ao que se mantinha em determinados espaços geográficos. Com a disseminação de conhecimentos em praticamente todos os campos da ciência, o cotidiano passou a ser mais passível de críticas. O ambiente virtual experimentado por meio das novelas, filmes, debates e demais programações televisivas possibilitou a exposição de cenas e situações em que o indivíduo via-se como o próprio protagonista do sistema manipulador. É verdade que essa reflexão restringiu-se a um pequeno grupo, que logo se responsabilizou em compartilhar com os demais, guiados por interesses particulares ou não, os chamados formadores de opinião.

Enquanto se espera a TV Digital, a internet continua a ser o principal meio pelo qual a interatividade é possível. A utilização das ferramentas de interação pelos públicos, nessa mídia, condiz ao indicativo de sucesso no alcance dos objetivos traçados. Porém, parece ser caracteristicamente cultural o motivo que leva muitos a não participarem no que é sugerido.

A influência da massificação é visível quando se observa o desinteresse por uma parcela dos públicos. Não perceber a importância dessas ferramentas é estar alienado quanto ao papel tão discutido do cidadão que, atualmente tem maiores possibilidades de participar de decisões ou, ao menos, se fazer ouvido por meio de tantos veículos de comunicação. Por se tratar de um fator cultural, pois se pode identificar em meio aos costumes e modos de vida das pessoas, esse desinteresse precisa ser trabalhado por profissionais qualificados. Estaria sob a responsabilidade dos relações-públicas descobrir quais são os principais motivos disso e elaborar planos estratégicos que viabilizassem mudanças nas atitudes dos públicos envolvidos.

ASPECTOS CONCEITUAIS E METODOLÓGICOS QUE ENVOLVEM A INTERDISCIPLINARIDADE NO CURSO DE RELAÇÕES PÚBLICAS DO IESAM

Jax N. A. Pinto[1]


O debate contemporâneo sobre ciências e humanidades tem se tornado algo imprescindível no fazer do sistema educativo, da pesquisa cientifica e humanística. Hoje já não podemos pensar sobre a natureza, a vida e a humanidade sem levar em conta as descobertas que se iniciaram com a cibernética, a epistemologia genética, a computação, os sistemas auto-regulados, adaptativos e autopoiéticos, as ciências da organização e os renovados processos comunicativos. A profundidade dessas descobertas vai além de suas claras manifestações científicas e técnicas: inclui novas formas de pensar e atuar que compreendem as chamadas ciências da complexidade e as tencnociências[2].

O impacto dessa nova revolução científica altera profundamente nossa divisão e articulação do trabalho intelectual, das humanidades, das ciências, das técnicas e das artes. Obriga a re-determinar, neste inicio de século XXI, uma nova cultura geral e novas formas de cultura especializadas com interações e campos limitados. Impõem-nos a pensar em novas articulações entre disciplinas, a irromper com os “murros” das especializações tradicionais e a construir espaços novos de ensino-aprendizagem, através da construção de metodologias que alcance processo interacionais indispensáveis para o apreender e o ensinar hoje.

Nesse momento em que a interdisciplina gera novos vínculos entre as ciências e a humanidade, os vínculos anteriores – alguns muito antigos – também se renovam. Vale aqui questionar-nos qual o papel da interdisciplinaridade nos processos educativos contemporâneos? E qual a sua contribuição efetiva e afetiva nas metodologias, até então adotadas nas instituições de ensino e pesquisa?

A interdisciplina, portanto, requer a interação entre fatores, antes “isolados” em seus processos produtores de conhecimento para gerar uma nova cultura do fazer e do apreender técnico e científico. Porém, apesar de parecer um fenômeno acadêmico, a interdisciplinaridade vai muito além do que isso. Na verdade está ligada a tecnociência, que, por si só, corresponde ao vinculo das disciplinas científicas e tecnológicas.

No curso de Comunicação Social – habilitação em Relações Públicas do IESAM, a interdisciplinaridade faz parte da concepção e da visão institucional - pedagógica. Essa prática permeia todo o processo de ensino-aprendizagem desafiando professores e alunos na árdua tarefa de partilha e construção do conhecimento. Desde o primeiro ano do os alunos produzem e realizam atividades interdisciplinares. Em geral aplicamos a seguinte metodologia:

Durante o planejamento estratégico do curso definimos no colegiado os temas, os professores coordenadores e a metodologia que abordaremos nos trabalhos interdisciplinares de cada semestre. Os docentes inserem nos seus respectivos planos de ensino os conteúdos inerentes aos projetos;

No início do semestre apresentamos os temas e discutimos com as turmas (alunos, professores e coordenadores de curso e de projeto experimental) a estratégia de implementação das atividades concernentes aos projetos interdisciplinares;

Nos dois primeiros meses do semestre, cada professor desenvolve o conteúdo programático da disciplina oferecendo elementos para teóricos e conceituais relativos aos temas dos projetos;

Depois da primeira avaliação bimestral, definimos os grupos de trabalho e a empresa-cliente onde será realizado o projeto interdisciplinar (cada equipe possui uma empresa-cliente). O foco principal é desenvolver práticas interdisciplinares que possibilitem um diálogo permanente entre o acadêmico e o empresarial (mercado). Por exemplo, abordamos temas como Pólos turísticos no Pará: meio ambiente tecnologia e desenvolvimento – neste caso os alunos, divididos em grupos, vão a campo compreender a natureza econômica, geográfica, ambiental, social e política dos pólos turísticos paraense. Para tanto desenvolvem pesquisas junto a Paratur (Companhia de Turismo do Pará) e visitam alguns lugares para compreender o modo de vida e a cultura dos atores sociais. No decorrer do trabalho, alunos e professores percebem que todas as disciplinas se encontram e são necessárias para desenvolver habilidades e aptidões acadêmicas e mercadológicas. Outros temas que abordamos: o sócio-ambiental nas empresas; pesquisa de opinião, como ferramenta de RP; Pesquisa Econômica e Desenvolvimento Sustentável; Relações Públicas Comunitárias, Eventos e Marketing no terceiro setor. Todos os trabalhos se realizam a partir de uma organização e/o instituição do mercado de trabalho – nesse processo os alunos exercitam relações públicas institucionais, atendimento, pesquisa, análise de textos e aprofundamento teórico. As equipes apresentam um produto como resultado final do projeto;

Todos os professores se envolvem, pois é também um exercício para que os docentes percebam a importância do seu conteúdo na formação acadêmica e profissional do aluno;

Os trabalhos são apresentados na forma escrita e oral, atendendo aos requisitos básicos de produção de um trabalho acadêmico;

Esses trabalhos servem de referência e até são assumidos por vários alunos, como trabalhos de conclusão de curso, os projetos experimentais.
[1] Mestre em sociologia, Relações Públicas e coordenador de Projetos Experimentais do curso de RP do IESAM.
[2] CASANOVA, Pablo González. As novas ciências e as humanidades: da academia à política. São Paulo: Boitempo, 2006.

Expediente

RP Informa é uma publicação do colegiado do Curso de Comunicação Social: Relações Públicas do IESAM.
Coordenação: Silvia Elen Reis
Vice-coordenação: Lorena Trescastro
Projeto Gráfico: Hericley Serejo
Redação: Estudantes e professores de Relações Públicas.