quinta-feira, 31 de março de 2011

Relações Públicas no terceiro setor

EGRESSOS DO IESAM ATUAM NO TERCEIRO SETOR


As ações sociais têm sido uma tendência que vem crescendo consideravelmente nos últimos anos. O termo responsabilidade social é definido como um conceito recente entre as empresas brasileiras, mas que se delineia como uma fonte renovadora de inspiração para alavancar negócios e conquistar, a um só tempo, espaços mais amplos junto à sociedade e resultados financeiros positivos.

A sociedade civil vem se organizando para garantir o bem-estar da população. Tradicionalmente a responsabilidade do setor privado limitava-se na busca da maximização dos lucros e minimização de custos. A tomada de decisões não era influenciada significativamente pelos aspectos sociais. Atualmente, o contexto mundial requer empresas aptas a assumir mais responsabilidades sociais, econômicas e ambientais, o que reflete a mudança de ênfase do econômico para o social.

Assim, o setor privado vem se conscientizando que precisa ter participação eficiente e constante no ambiente social e comunitário porque é parte integrante dele e, portanto, depende de seu correto e bom funcionamento. Ninguém mais se beneficia da carência social. A empresa que tiver um bom relacionamento com a comunidade, contribuindo para a sua qualidade de vida, será aceita e beneficiada por ela.

A experiência vivida pelo egresso de relações públicas do IESAM, Saulo Sarmanho, na empresa Albras foi de extrema importância para o seu crescimento profissional. “A Albras é uma empresa de grande porte e tive a oportunidade que poucos profissionais têm, pois convivi com uma comunicação integrada, na qual a responsabilidade social é voltada para cuidar do lado social de seus funcionários. A sociedade de hoje não quer apenas produtos que satisfaçam suas necessidades, mas que também contribuam para a qualidade de vida. Não basta um bom produto com preço justo, é preciso haver preocupações sociais, éticas e ecológicas”, diz o egresso.

As organizações começam a ser cobradas em relação à sua responsabilidade social. As ações de responsabilidade social não se limitam a doação de verbas a instituições, é preciso que sejam legitimadas. Nesse aspecto, necessita-se de um planejamento cuidadoso de maneira vinculada a toda a política da empresa, como as relações internas (recursos humanos e comunicação interna) e externas (relações públicas).

Observa-se que as empresas exercem grande influência no desenvolvimento socioeconômico das comunidades onde estão inseridas. Muito além de produção de bens e geração de emprego, hoje, espera-se das organizações um maior envolvimento e participação social efetiva, minimizando a carência nas áreas de saúde, educação, habitação, segurança, alimentação, entre outras tantas. É nesse cenário que o mercado profissional de Relações Públicas se expande, pois sua relevância está nas novas exigências de uma sociedade cada vez mais atenta ao comportamento ético e social das organizações. Nessa perspectiva, nota-se a necessidade de encontrar um profissional habilitado para atuar com eficiência e eficácia no Terceiro Setor na obtenção de resultados positivos, tanto para as empresas quanto para a sociedade.

Para a relações públicas em uma Ong, Valéria Coroa, também egressa do IESAM, “a atividade de Relações Públicas é fundamental para qualquer organização, de pequeno à grande porte; na área governamental, comercial e ainda a sem fins lucrativos. A importância das ações de RP em uma organização do Terceiro Setor está relacionada às estratégias de comunicação interna e externa, busca por parceiros, fortalecimento da imagem institucional e clima de boa convivência entre os públicos”.

Em seu depoimento Valéria relata que “o trabalho na Rádio Margarida e no Instituto Capital Social me fizeram ter certeza que as relações construídas entre as instituições (ONG), governos e pessoas da sociedade civil, são de extrema importância para o andamento de qualquer projeto. Além das atribuições relacionadas à comunicação interna, temos outras atividades de extrema importância, como: os cuidados com a imagem e as questões burocráticas que mexem com a administração das instituições. As atividades passam desde relações interpessoais e estratégias de comunicação, para que as ONGs sejam reconhecida pelos seus projetos, recebam seus públicos de portas abertas e com o comprometimento de trabalhar a responsabilidade social”.

As boas relações com a comunidade merecem grande atenção por parte das empresas, em suas buscas incessantes pelo sucesso mercadológico. A organização que agir em benefício da comunidade terá retorno na mesma proporção. Deve-se considerar também que as ações sociais estão se transformando em diferenciais competitivos e os consumidores estão optando pelas empresas socialmente responsáveis.

O profissional de Relações Públicas está habilitado para planejar e coordenar quaisquer projetos de ordem social para o Terceiro Setor. No âmbito das tendências atuais, verifica-se a aproximação dos interesses das organizações com os da sociedade, resultando em esforços múltiplos para o atendimento de objetivos compartilhados. É através da convergência entre metas econômicas e sociais que emergem os modelos de organizações preocupadas com o bem-estar da comunidade.

O dinamismo da sociedade cria uma rede de relacionamento que muitas vezes não nos permite compreender a noção exata da realidade em que vivemos. São sistemas e estruturas sociais que nos envolvem num grande contexto no qual a informação e a comunicação tornam-se elementos vitais no ordenamento das ações dos indivíduos e das organizações, e é justamente a partir do bom direcionamento das informações que retomamos a consciência do caminhar da sociedade.

Quando se percebe essa realidade, isto é, a comunicação como principal instrumento dos relacionamentos entre as pessoas e as instituições, entende-se que o processo de comunicação possui um papel estratégico. Para isso a atividade de Relações Públicas deve estar presente de forma comprometida para transformar inteligentemente as diretrizes do relacionamento social para a conscientização e democratização do espaço onde se dá tal comunicação a fim de produzir nos públicos o desejo de participar do processo comunicacional.

Nessa conjuntura, o profissional de Relações Públicas não só pode obter envolvimento e adesão da sociedade civil, como também obter excelentes resultados no que diz respeito à imagem corporativa e de seus produtos. Afinal, uma de suas atribuições é construir a imagem pública das organizações. Indiscutivelmente, o Terceiro Setor representa um amplo e promissor campo de atuação para o profissional de Relações Públicas.


Texto: Milena Albuquerque - Profa. do Colegiado de RP.

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Redação: Estudantes e professores de Relações Públicas.