Com a epígrafe “35 anos de convergência tecnológica”, aconteceu no dia 30 de março no Teatro Cláudio Barradas da Faculdade de Comunicação da UFPA a palestra da professora Drª. Lúcia Santaella. O evento fez parte das comemorações dos 35 anos do Curso de Comunicação da UFPA.
Santaella deu uma importante contribuição à comunidade acadêmica, principalmente aos estudantes de comunicação. O teatro lotou ao ponto de inviabilizar a entrada de pessoas que chegaram a partir das 19h30.
Os estudantes que ali estavam, da UFPA, do IESAM e outras IES, dentre os quais de jornalismo, relações públicas e artes plásticas, certamente tiveram a oportunidade de ampliar seus campos de conhecimento e aliviar algumas inquietações que esse campo do saber nos impõe. Pois a forma magistral e com uma autoridade de quem é referência nacional e internacional no tratamento da teoria das mídias, Santaella, se referindo a alguns arautos da modernidade que profetizaram o fim do livro e do jornal, defendeu peremptoriamente a permanência desses dois instrumentos (até porque também é escritora), ainda que digital, apesar da convergência das mídias.
Ressaltou, ainda, que no Brasil a nação saiu da oralidade e passou para a comunicação de massa, pouco se desenvolveu a cultura da escrita/leitura como aconteceu na Europa onde foi intenso o processo de leitura pelo cidadão. Por essa razão, a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt foi a orientação para os estudantes brasileiros.
Lucia Santaella recordou fatos ocorridos nos anos 70, década em que foi implantado o curso de comunicação na UFPA, fazendo uma comparação com os dias de hoje chegando a afirmar, em tom descontraído, que a maioria dos jovens ali presentes já era mutante, pois nasceram na era digital. “As tecnologias da inteligência mudam o comportamento das pessoas, o cérebro humano cresce para além da caixa craniana, porque o desenvolvimento da inteligência humana não pode parar”, disse ela.
Depois de quase duas horas falando para uma platéia atenta a cada palavra altamente refletida, abriu-se uma rodada de questionamentos dos acadêmicos, cujo foco foi muito relacionado ao jornalismo, como produção de conteúdo, relacionamento profissional com outras áreas correlacionadas em que a fronteira é quase imperceptível diante dessa convergência inevitável.
Santaella, categoricamente, analisou que a produção e distribuição de conteúdo é uma possibilidade para todos e é neste sentido que caminham as preocupações semióticas quando, tudo vai ficando mais complexo.
No decorrer da exposição, a professora deixou claro que gosta muito do que faz, adora escrever, e que é testemunha viva de muitas transformações que ocorreram no Brasil de contrastes, em diversas matizes, e continua contribuindo, com suas teorias, para o avanço cultural do povo brasileiro.
Portanto, sua vinda ao estado do Pará certamente foi uma marca indelével para todos os acadêmicos que estiveram naquele evento. Seus ensinamentos para a formação de futuros profissionais de comunicação são tão importantes quanto de muitos outros mestres que se esmeram para a melhora do nosso estado como um todo. Parabéns pelos 35 anos do Curso de Comunicação da UFPA.
Texto: Sinderlei C. Serra - Aluno do 3° ano do IESAM
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