sexta-feira, 15 de abril de 2011

MUVUQUINHA NO IESAM

Comunicação tecnológica e midiatizada. Até que ponto?

Depois do encontro com Santaella ocorrido há 15 dias, foi a vez do “Muvuquinha”- Pré-semana de comunicação da UFPA. O evento aconteceu no auditório do Instituto de Estudos Superiores da Amazônia – IESAM, dia 14 de abril, às 19 horas. Auditório lotado, estudantes entusiasmados e professores eloquentes somavam-se num caleidoscópio de interpretações sobre o que será o futuro da comunicação na era digital em que a convergência das mídias se impõe como algo inevitável.
O diálogo, construído do ponto vista da multimídia, do jornalismo e de relações públicas, com profissionalismo e ética, deu o tom do excelente debate, mediado pela jornalista Lara Lages, estabelecido entre os professores Roseli Brito – professora adjunta da Faculdade de Comunicação da UFPA e Daniel Leão – vice-coordenador e professor do curso de Multimídia do IESAM e os acadêmicos do IESAM, Thalmus Gama (Multimídia) e Jair Cleiton Machado (Relações Públicas).
Sob a mira profissional das câmeras fotográficas dos estagiários e acadêmicos da Comunicação que não perdiam os ângulos e os movimentos para os quais foram ensinados, a professora Roseli Brito discorreu sobre os ensinamentos de Lúcia Santaella, na abertura das comemorações dos 35 anos do curso de comunicação da UFPA, comentando sobre os avanços tecnológicos nas últimas décadas da máquina de escrever ao computador, ilustrando os aportes teóricos com sua experiência de jornalista e professora, chegando a afirmar que é “jornalista por opção e professora por acaso”. Já Daniel Leão considerou o domínio da técnica como algo que media as relações nesta nova sociabilidade em que a máquina é o suporte das ferramentas intelectuais e fez um paralelo com o filme Os Piratas do Vale do Silício de Martyn Burke.

Mas como tudo estava tranquilo, algo que ia de encontro ao título do evento, a mediadora Lara Lages, jornalista e produtora do programa Sementes da TV Cultura atiçou a Muvuca, fez então uma provocação: “quais as promessas e os perigos da tecnologia?”. Muitas coisas foram ressaltadas pelos debatedores que, além das suas afirmações, buscavam fundamentar suas opiniões na citação de vários autores com suas respectivas obras. Uma riqueza de conhecimento que sinaliza a disposição dos comunicólogos em encarar os desafios que a área da comunicação apresentam.
A história da imprensa no Brasil com seus primeiros jornais produzidos em Londres, a importância da clareza sobre os postulados da escola de Frankfurt, o entendimento da multimídia como já sendo uma convergência da mídia e a quebra do paradigma dos meios de comunicação, a adoção pelas organizações das redes sociais como parte da sua política e estratégias foram as questões mais contundentes argumentadas pelos professores e estudantes presentes.
Walter Benjamin com sua era da reprodutibilidade técnica, Theodor Adorno e a indústria cultural, Horkheimer e sua teoria crítica, Pierre Lévy nas tecnologias da inteligência, entre outros clássicos citados foram referências teóricas que nortearam as discussões resultantes dos questionamentos levantados pelos participantes.

Entre as ponderações, estava a observação de que as tecnologias devem estar a serviço do homem e não ao contrário. Porque, apesar de estarmos sendo constantemente mediados pela técnica, desde a invenção da imprensa por Gutenberg, como bem colocou Roseli, é necessária a reflexão crítica sobre esse novo paradigma, pois as patologias sociais oriundas desta era digital não são insignificantes e merecem atenção, Daniel Leão citou algumas.
Do ponto de vista dos acadêmicos da UFPA e do IESAM, entre outras IES, o evento que abrilhantou o Auditório do IESAM foi maravilhoso. Foi, portanto, mais um passo que os acadêmicos da Amazônia deram em direção ao futuro que os aguarda – a Muvuca e a entropia que a acessibilidade, a universalização e a tecnodemocracia dos meios comunicacionais provocarão.

Texto: Olga Benário e Sinderlei Serra - Alunos do 3º ano de Relações Públicas do IESAM

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Encontro com Santaella

Com a epígrafe “35 anos de convergência tecnológica”, aconteceu no dia 30 de março no Teatro Cláudio Barradas da Faculdade de Comunicação da UFPA a palestra da professora Drª. Lúcia Santaella. O evento fez parte das comemorações dos 35 anos do Curso de Comunicação da UFPA.


Santaella deu uma importante contribuição à comunidade acadêmica, principalmente aos estudantes de comunicação. O teatro lotou ao ponto de inviabilizar a entrada de pessoas que chegaram a partir das 19h30.


Os estudantes que ali estavam, da UFPA, do IESAM e outras IES, dentre os quais de jornalismo, relações públicas e artes plásticas, certamente tiveram a oportunidade de ampliar seus campos de conhecimento e aliviar algumas inquietações que esse campo do saber nos impõe. Pois a forma magistral e com uma autoridade de quem é referência nacional e internacional no tratamento da teoria das mídias, Santaella, se referindo a alguns arautos da modernidade que profetizaram o fim do livro e do jornal, defendeu peremptoriamente a permanência desses dois instrumentos (até porque também é escritora), ainda que digital, apesar da convergência das mídias.


Ressaltou, ainda, que no Brasil a nação saiu da oralidade e passou para a comunicação de massa, pouco se desenvolveu a cultura da escrita/leitura como aconteceu na Europa onde foi intenso o processo de leitura pelo cidadão. Por essa razão, a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt foi a orientação para os estudantes brasileiros.


Lucia Santaella recordou fatos ocorridos nos anos 70, década em que foi implantado o curso de comunicação na UFPA, fazendo uma comparação com os dias de hoje chegando a afirmar, em tom descontraído, que a maioria dos jovens ali presentes já era mutante, pois nasceram na era digital. “As tecnologias da inteligência mudam o comportamento das pessoas, o cérebro humano cresce para além da caixa craniana, porque o desenvolvimento da inteligência humana não pode parar”, disse ela.


Depois de quase duas horas falando para uma platéia atenta a cada palavra altamente refletida, abriu-se uma rodada de questionamentos dos acadêmicos, cujo foco foi muito relacionado ao jornalismo, como produção de conteúdo, relacionamento profissional com outras áreas correlacionadas em que a fronteira é quase imperceptível diante dessa convergência inevitável.


Santaella, categoricamente, analisou que a produção e distribuição de conteúdo é uma possibilidade para todos e é neste sentido que caminham as preocupações semióticas quando, tudo vai ficando mais complexo.


No decorrer da exposição, a professora deixou claro que gosta muito do que faz, adora escrever, e que é testemunha viva de muitas transformações que ocorreram no Brasil de contrastes, em diversas matizes, e continua contribuindo, com suas teorias, para o avanço cultural do povo brasileiro.


Portanto, sua vinda ao estado do Pará certamente foi uma marca indelével para todos os acadêmicos que estiveram naquele evento. Seus ensinamentos para a formação de futuros profissionais de comunicação são tão importantes quanto de muitos outros mestres que se esmeram para a melhora do nosso estado como um todo. Parabéns pelos 35 anos do Curso de Comunicação da UFPA.


Texto: Sinderlei C. Serra - Aluno do 3° ano do IESAM

Expediente

RP Informa é uma publicação do colegiado do Curso de Comunicação Social: Relações Públicas do IESAM.
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Redação: Estudantes e professores de Relações Públicas.